Prolegômenos a qualquer metafísica futura que possa apresentar-se como ciência

Se há livros difíceis na história da Filosofia, estes são as três Críticas de Immanuel Kant. A mais importante de entre elas é provavelmente a Crítica da Razão Pura, na qual, discutindo os limites do conhecimento e as condições de sua possibilidade, Kant lança as bases para sua Filosofia Crítica, também chamado de Idealismo Transcendental.

Felizmente, para quem quer se introduzir nesse mundo e, talvez, ler sua obra, Kant teve a delicadeza de lançar um resumo desse livro, intitulado Prolegômenos a qualquer metafísica futura que possa apresentar-se como ciência, em 1783. O objetivo do livro não é só esse, obviamente. Depois da publicação da Crítica da Razão Pura, em 1781, Kant percebeu que alguns argumentos, por serem muito prolixos (como por exemplo a discussão da dedução dos conceitos do entendimento e dos paralogismos da razão pura), mais causavam erros do que compreensão no leitor. Enquanto não podia preparar uma nova edição alterada da Crítica (publicada somente em 1787), ele publicou os Prolegômenos, um livro muito menor e muito mais acessível que qualquer das duas edições da Crítica da Razão Pura.

Neste livro, Kant parte diretamente das três perguntas pressupostas na Crítica da Razão Pura: Como é possível a Matemática (tema da Estética Transcendental na Crítica), Como é possível a Física (tema da Analítica Transcendental) e Como (ou, talvez, se) é possível a Metafísica (tema da Dialética Transcendental)? As duas primeiras questões recebem uma resposta positiva de Kant: Continuar lendo Prolegômenos a qualquer metafísica futura que possa apresentar-se como ciência

O apanhador no campo de centeio

81evtU8kGBLThe Catcher in the Rye (O apanhador no campo de centeio): qualquer tentativa de traduzir o título do livro trairá a multiplicidade de significados que ele esconde. Rye é o nome de um riacho na Escócia, a que Robert Burns se refere no poema chamado Comin’ Through the Rye, e contém uma crítica implícita à ideia de sexo casual. Rye é também o Rye Field, campo de centeio, em que o protagonista se imagina com várias crianças bem mais novas que ele, e no qual ele seria um apanhador de crianças que tentam fugir. Fugir do que? Continuar lendo O apanhador no campo de centeio

Bhagavad Gita

91ikM6PudLLUm dos livros básicos do hinduísmo e de todas as suas derivações, como os Hare Krishna, o Bhagavad Gita é também uma belíssima obra literária e um tratado de Filosofia Oriental (tema que tem me interessado bastante nos últimos tempos: a Filosofia e a Literatura Orientais). O livro faz parte de um relato mais amplo, o Mahabharata, que conta a história da guerra dos pandavas com os karauvas pelo trono.

O arqueiro Arjuna, um pandava, olha os dois exércitos que estão prestes a se envolverem em uma sangrenta batalha (4 milhões de pessoas irão morrer, e apenas 18 pessoas sobreviverão) e reconhece mestres, parentes e amigos do lado de seus inimigos. Em desespero, está prestes a desistir da batalha, pois é um dever não matar seus parentes e mestres, mas, para ele que é um guerreiro, é também um dever lutar. Pede então a seu amigo, e condutor de seu carro, Krishna, que o ensine. Continuar lendo Bhagavad Gita

O Cérebro do adolescente

51rDbsSbnELAo contrário do que pensam muitos pais e professores, o cérebro do adolescente
não é idêntico ao cérebro do adulto. A principal diferença é que, nesta fase, a substância branca de seu cérebro, responsável pela eficiência da comunicação entre as várias parte do cérebro, vai ser mielizada (recoberta por um lipídio branco, a mielina, que funciona como um isolante para os impulsos elétricos). O córtex frontal e pré-frontal, responsáveis pela avaliação de riscos, pelas decisões racionais e por parte do comportamento social são as últimas partes do cérebro a se desenvolverem. Ao mesmo tempo, durante essa fase, a amídala e o sistema límbico, responsáveis pelas emoções, são muito ativos. Daí boa parte dos perigos por que passa o adolescente, período da vida mais propenso a morte violenta. Continuar lendo O Cérebro do adolescente

Fundamentação da Metafísica dos Costumes

61dzpImTbTLUm dos livros mais importantes do pensamento filosófico moderno, a Fundamentação da Metafísica dos Costumes, de Immanuel Kant, quer investigar em que consiste a moral. Para que uma moral valha para todos os seres racionais, ela não pode se originar em nossa experiência, e, portanto, seu ponto de partida não pode ser os costumes em meio aos quais vivemos (e por isso uma melhor tradução para o título do livro seria Fundamentação da Metafísica da Moral). Continuar lendo Fundamentação da Metafísica dos Costumes

Entre a ciência e a sapiência: O dilema da educação

51VW8fSW2jLRubem Alves é um dos maiores educadores, filósofos e teólogos que já houve no Brasil. Em todas essas facetas de seu pensamento, o que sobressai é, no entanto, a do escritor: a forma é tão (ou mais) importante quanto conteúdo em seus textos, ricos em imagens e analogias.
Neste pequeno livro, Entre a ciência e a sapiência, que pode ser lido em menos de um dia, vinte e dois pequenos textos são reunidos em quatro partes. Ele começa discutindo sobre o sentido da escola: não ensinar a pescar o peixe, nem sequer a prepará-lo, mas, como ele diz em outros livros, despertar a fome. Continuar lendo Entre a ciência e a sapiência: O dilema da educação