Crítica da Razão Prática

61yJgKpFc6LHá três traduções da Crítica da Razão Prática dignas de nota: a de Artur Morão, da Edições 70, esta, de Valério Rohden (que traduziu, também, as outras duas críticas), e a de Fernando Costa Mattos, da Vozes.  Já li, há muito tempo, a edição portuguesa de Morão, e agora li a edição de Rohden, de quem já conhecia a tradução da Crítica da Faculdade de Julgar e o livro Interesse da Razão e Liberdade, sobre a filosofia prática kantiana.

É uma boa tradução, que, de algum modo, preocupa-se em retomar a gênese e desenvolvimento do texto, comparando as várias edições publicadas durante a vida de Kant com várias versões posteriores que preocuparam-se em estabelecer criticamente o texto.

Ainda que guarde profunda conexão com a Fundamentação da Metafísica dos Costumes (sobretudo com a terceira seção deste livro), neste livro Kant pretende Continuar lendo Crítica da Razão Prática

O apanhador no campo de centeio

81evtU8kGBLThe Catcher in the Rye (O apanhador no campo de centeio): qualquer tentativa de traduzir o título do livro trairá a multiplicidade de significados que ele esconde. Rye é o nome de um riacho na Escócia, a que Robert Burns se refere no poema chamado Comin’ Through the Rye, e contém uma crítica implícita à ideia de sexo casual. Rye é também o Rye Field, campo de centeio, em que o protagonista se imagina com várias crianças bem mais novas que ele, e no qual ele seria um apanhador de crianças que tentam fugir. Fugir do que? Continuar lendo O apanhador no campo de centeio

Sim eu digo sim: a verdade sobre a lôra burra.

USA. New York. Long Island. US actress Marilyn MONROE. 1955.

Hoje comemoramos o Bloomsday, o dia em que ocorre (quase toda) a história de Leopold Bloom, o herói de Ulisses, de James Joyce, e resolvi preparar uma surpresa no blog.

Quando pensamos em alguém como Marilyn Monroe, pensamos em alguém fútil, ingênua, com uma vida vazia, sem muito significado, que a levou a amores proibidos e a um fim trágico com barbitúricos. É como Sheldon Cooper diz sobre Penny, em Big Bang Theory: “ninguém pode ser tão bonita e inteligente ao mesmo tempo!”. No caso de Marilyn, aquela que você possivelmente pensava ser o protótipo da Loura da música de Gabriel, o pensador, isto não se aplica.

Ávida leitora, preferia os clássicos aos best-sellers. Seu preferido era “Folhas da relva”, de Walt Whitman, que possui o poema mais belos da língua inglesa (Song of Myself). Dentre os livros que leu, estavam muitos livros de poesia, James Joyce, Erich Fromm, Rabelais, Platão, Max Weber, Freud, Thomas Mann, Camus, Steinbeck, Plutarco, Kerouack, Einstein, Bertrand Russel, ao lado de livros de Judaísmo (ela se converteu ao judaísmo quando se casou com Arthur Miller), jardinagem, de receitas de cozinha e de coquetéis e inclusive uma biografia sobre si mesma. A lista abaixo, encontrada no site Open Culture, apresenta os 430 livros de sua biblioteca, inventariados quando de sua morte. Há indícios consistentes de que leu grande parte deles (como anotações, orelhas dobradas e grifos). Certamente leu Ulisses (na imagem famosa, ela estava viajando e encontrava-se na casa de um amigo quando foi fotografada). Pela foto, deveria estar lendo a parte mais difícil do livro (o solilóquio de Molly, o longo trecho – mais de 20 páginas – com fluxo de consciência sem uma vírgula ou ponto final).

Quantos livros da biblioteca de Marilyn você já leu? Quem sabe chegou a hora de você ler o Ulisses, de Joyce?

Desafio de leitura de Marilyn Monroe

1) Let’s Make Love by Matthew Andrews (novelization of the movie)

2) How To Travel Incognito by Ludwig Bemelmans

3) To The One I Love Best by Ludwig Bemelmans

4) Thurber Country by James Thurber

5) The Fall by Albert Camus Continuar lendo Sim eu digo sim: a verdade sobre a lôra burra.

Bhagavad Gita

91ikM6PudLLUm dos livros básicos do hinduísmo e de todas as suas derivações, como os Hare Krishna, o Bhagavad Gita é também uma belíssima obra literária e um tratado de Filosofia Oriental (tema que tem me interessado bastante nos últimos tempos: a Filosofia e a Literatura Orientais). O livro faz parte de um relato mais amplo, o Mahabharata, que conta a história da guerra dos pandavas com os karauvas pelo trono.

O arqueiro Arjuna, um pandava, olha os dois exércitos que estão prestes a se envolverem em uma sangrenta batalha (4 milhões de pessoas irão morrer, e apenas 18 pessoas sobreviverão) e reconhece mestres, parentes e amigos do lado de seus inimigos. Em desespero, está prestes a desistir da batalha, pois é um dever não matar seus parentes e mestres, mas, para ele que é um guerreiro, é também um dever lutar. Pede então a seu amigo, e condutor de seu carro, Krishna, que o ensine. Continuar lendo Bhagavad Gita

O Cérebro do adolescente

51rDbsSbnELAo contrário do que pensam muitos pais e professores, o cérebro do adolescente
não é idêntico ao cérebro do adulto. A principal diferença é que, nesta fase, a substância branca de seu cérebro, responsável pela eficiência da comunicação entre as várias parte do cérebro, vai ser mielizada (recoberta por um lipídio branco, a mielina, que funciona como um isolante para os impulsos elétricos). O córtex frontal e pré-frontal, responsáveis pela avaliação de riscos, pelas decisões racionais e por parte do comportamento social são as últimas partes do cérebro a se desenvolverem. Ao mesmo tempo, durante essa fase, a amídala e o sistema límbico, responsáveis pelas emoções, são muito ativos. Daí boa parte dos perigos por que passa o adolescente, período da vida mais propenso a morte violenta. Continuar lendo O Cérebro do adolescente

Fundamentação da Metafísica dos Costumes

61dzpImTbTLUm dos livros mais importantes do pensamento filosófico moderno, a Fundamentação da Metafísica dos Costumes, de Immanuel Kant, quer investigar em que consiste a moral. Para que uma moral valha para todos os seres racionais, ela não pode se originar em nossa experiência, e, portanto, seu ponto de partida não pode ser os costumes em meio aos quais vivemos (e por isso uma melhor tradução para o título do livro seria Fundamentação da Metafísica da Moral). Continuar lendo Fundamentação da Metafísica dos Costumes